à paixão.

Erick Monteiro
2 min readSep 8, 2021

Ah, Vênus! Se em lugar algum teu amor sulfúrico não fosse de uma acidez atroz. Ah planeta regente da paixão — do amor, não — que solidez orgânica que tu não dissolves em tuas tempestades violentas e velozes que sequer tocam teu misterioso solo enuviado, escondido de olhares externos? Digas-me por quê oxigênio em tua superfície é um gás que escapa flutuante?

O que está abaixo das tempestades velozes de teus altos céus que escondem a estufa sufocante da vida em seu estado mais bruto, a transmutação, a respiração expirada, a sede matada, o oposto da fome. Que escondes por baixo de tua aura de expectativas, delírios e projeções se não o engano e a decepção?

Há 4 bilhões de anos, dizem, havia água em tua superfície, como há na terra agora repleta de gente iludida e apaixonada a consumir tudo, a desterraformar o planeta como as pústulas abertas de um geyser, que um dia vomitarão tudo. Transformarão tudo em Vênus.

O ideal, a beleza e a arte concomitantemente potencializam e banalizam o viver.

--

--